O aedo dos gramados
Ansioso por confirmar o prognóstico negativo dado por nossa correspondente internacional sobre o futebol argentino atual, o glorioso Boca Juniors anuncia que pode acertar com um dos jogadores mais eloquentes dos gramados tupiniquins.
Para ser tão prolixo quanto a suposta contratação, não direi logo quem é. Começo dizendo que ele não dá entrevistas, dá palestras motivacionais. Não diz em poucas palavras que ninguém quer escutar por que o time perdeu, disserta sobre as profundas causas estruturais que levaram o time a mais uma terrível e dolorosa derrota. Para ele, a bola é a esfera eterna que representa o divino, o gramado é o campo de luta em que forças cósmicas se enfrentam, os jogadores são os guerreiros valorosos que jamais desistiram e jamais desistirão enquanto o apito divino não soar o fim do universo.
As coisas não acontecem, é a misteriosa disposição das estrelas sobre o estádio que influencia o destino do jogo. O técnico não dá orientações, inspira os jogadores a ultrapassarem seus limites com sabedoria e coragem. E ele? Ele não é o zagueiro que falha, é o homem mortal que não consegue agradar a todos, falho em sua própria natureza, incapaz de superar as limitações de seu corpo, o Jesus dos relvados.
Ainda não sabe quem é? Nem eles. E tenho pena de quando descobrirem.

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